"Não tenho feitio para emigrante"

"Se eu podia ter emigrado para ganhar mais? Podia. Se podia andar a conhecer mundo e meio com esse dinheiro extra? Podia. Se eu podia deixar este sítio onde sou feliz e voltar só nas férias? Não, isso não podia."

O artigo é do público e podem lê-lo na integra aqui

Aparece aqui no blogue, porque me revi muito nele. Quando terminei a minha licenciatura, a minha área estava a atravessar uma fase difícil, foi o boom da emigração na enfermagem e muitos dos meus colegas seguiram esse caminho. Teimosamente, ou não, decidi que queria ficar. Queria ficar perto dos meus irmão, dos meus pais, da minha família. Não me via a morar a quilómetros de distância e a vê-los esporadicamente. Não queria abrir mão dos momentos em família, de viver a minha vida no meu pais ao pé das pessoas que são importante para mim. Sabia que lá fora iria ficar muito mais estável monetariamente, teria maior progressão na carreira, teria muito mais dinheiro para gastar nos meus caprichos, em viagens e no que eu quisesse. E eu sou caprichosa, mas achei que não valia o preço. A escolha foi minha, muitas vezes a minha mãe me disse para ir, porque não tentar?! Sempre disse o mesmo que digo hoje, se tivesse que o fazer por necessidade, certamente que o faria. Mas enquanto conseguir viver aqui, sentindo-me feliz, ficarei aqui. Ainda não houve um dia em que me arrependesse de ter ficado. Mas sei que se tivesse optado por ir, viveria atormentada por tudo o que estava a perder aqui. Por isso, fiz a minha escolha e fiquei. Não porque não seja aventureira, ou tenha medo de mudar. Mas porque todos nós temos diferentes prioridades e formas de viver a nossa vida. E uma coisa é consensual, aqui ao ali todos buscamos o que nos faz felizes e vivemos diferentes formas de felicidade. E isso é o mais importante .